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A História da Mel

A História da Mel

A Mel, essa linda cachorra vira-lata que se parece com um cão pastor, chegou até nós em um fim de semana de amigos na praia, no litoral Norte de São Paulo.

Estávamos fazendo um churrasco na varanda do apartamento, quando olhamos para baixo e vimos um cachorro bem magro, preto, de uns 7 meses, desesperado por comida.

Atraída pelo cheiro delicioso do churrasco, ela estava tão magra que conseguia se enfiar no meio das grades do portão do prédio para entrar e sentir o cheiro mais de perto.

Como amantes dos animais e, especificamente, dos cachorros, não pudemos deixar de descer para alimentá-la com uma carninha.

Além de debilitada e esquelética, ela estava bem abatida, suja, com pulgas e outros problemas.

Após dar comida a ela, voltei ao apartamento e, da varanda, não tirávamos os olhos dela. Ficamos com muita pena.

Uma das coisas que elas mais gostam de fazer, tomar sol

Eu morava com meus pais e, meu namorado, com os pais dele, portanto não cabia totalmente a nós resgatar um cachorro e levar para casa.

Mas a vontade era tirá-la dali e cuidar com todo o carinho, até porque eu morria de vontade de ter um cachorro.

Os pais dele são apaixonados por cães, mas os meus tem muitas restrições quanto a isso, tanto é que eu só havia tido um cachorro na infância e depois nunca mais deixaram.

Não é que eles não gostavam, mas eu percebi que existem 3 tipos de pessoa: as que amam os cachorros (e animais em geral) e os veem como membros da família, as que odeiam animais e acham que eles não tem sentimentos, ou simplesmente não estão nem aí para seus sentimentos, e as que gostam, tratam bem e entendem que eles tem sentimentos e precisam ser bem tratados, mas não chegam a ter aquele amor e cuidado pois priorizam outras coisas na vida.

Os meus pais se encaixavam nesse terceiro grupo e, portanto, não queriam ter cachorro em casa, apesar de gostarem e nunca terem feito mal a animal algum.

Então foram 15 minutos na varanda, eu e meu namorado, olhando para ela lá embaixo e pensando no que iríamos fazer. Não queríamos deixá-la lá.

Foi então que ela entrou no prédio pelo meio das grades, e eu tive que descer para garantir que funcionários ou proprietários do prédio não a expulsassem ou chamassem a “carrocinha” para levá-la a algum abrigo.

Desci o elevador, e ela estava na porta, já esperando para subir. Achei o máximo!

Meu namorado decidiu dar um banho nela, pois estava muito suja.

Eu ainda não tinha muita experiência com cachorro e fiquei impressionada e orgulhosa com a forma com que ele lidou ao dar banho em um cachorro da rua, que talvez nunca tivesse tomado um banho na vida, sem saber se levaria uma mordida.

Mas hoje, alguns anos depois, eu sei que só pela forma que o cachorro chega é possível saber se ele é mais irritado (geralmente inseguro) ou mansinho.

A Mel era muito mansa, e até hoje tem esse olhar doce e profundo.

Fui até o mercado e comprei um saco de ração. É claro que ela não comeu!

Cachorro de rua se acostuma a pegar comida de lixo, ou até na porta de padarias, postos de gasolina, onde muitas vezes tem alguém que fica com dó e dá uns restos de coxinha ou marmita de vez em quando (a Mel é simplesmente louca por coxinha).

Com um bom prato de arroz e salsicha ela limpou tudo.

Nossa intenção era apenas que ela colocasse algo para dentro, pois nas condições que estava iria morrer em alguns dias de fome.

Como os pais do meu namorado amam cachorros, e já tinham uma schnauzer, ele decidiu ligar para sua mãe e contar o que estava acontecendo.

Ela ficou meio receosa, mas aceitou que a levássemos para sua casa em São Paulo.

Na estrada dentro do carro ela vomitava e, de tão fraca, chegou a cair no chão.

No dia seguinte, levaram-na a uma veterinária que, de forma infeliz, falou para a mãe do meu namorado “tirar essa cachorra da casa dela porque vai morrer”.

Disse que a Mel estava com cinomose e era questão de dias para falecer.

Realmente, ela estava bem mal, constantemente contorcia sua coluna com dores, hábito que ela perdeu logo que se recuperou.

Tinha medo de vassoura e de pessoas, e acreditamos que ela também tenha sido atropelada quando estava na rua.

Minha sogra ficou assustada com o que a veterinária disse, mas eles nunca a colocaram na rua como a profissional instruiu.

Medicaram ela direitinho, alimentaram e com muito amor nossa Memel (um dos apelidos carinhosos dela) se recuperou rapidamente.

Como em toda profissão, existem veterinários maravilhosos, que cuidam mesmo de seus pacientes e pensam em seu melhor, assim como aqueles que são irresponsáveis e só pensam no caminho mais fácil.

A história da Mel é a prova de que nenhuma vida está perdida até que ela realmente chegue ao fim. Sempre há esperança e, principalmente, tratar esses bichinhos com carinho e amor é o maior remédio.

Hoje, a Mel tem 7 anos, mora comigo e meu namorado, é uma cachorra maravilhosa, cheia de energia, ama correr e ficar livre sem coleira, adora receber visitas (e todos ficam encantados com a energia dela).

É um dos cachorros mais ativos que conheço, às 8:00 já está em pé louca para sair na varanda, onde fica o dia inteiro acompanhando o movimento, até chegar a hora mais esperada, o passeio!

Algumas curiosidades sobre a Memel:

1) Se bobear com comida em cima do balcão ou mesa, ela pega, especialmente se for proteína. Uma vez fizemos hamburger em casa e enquanto a carne descansava no balcão ela colocou as patas e abocanhou metade da comida. Ela já fez isso com frango assado também e outras coisas!

2) Ela é a mais receptiva com visitas em casa, recebe todos muito bem com sorriso no rosto, pulos e lambidas. Tem também uma energia muito boa, que faz as pessoas se encantarem com ela.

3) As vezes ela entra em um estado diferente, como se algo a estivesse incomodando lá fora. Começa a ir de um lado para o outro da casa e fica latindo sem parar para a rua. Só vendo para entender.

4) Ela AMA andar de carro. Já fizemos o teste e ela prefere andar de carro a comida ou passeio. Se abrirmos a porta do carro com a porta de casa aberta, ela corre para dentro e só conseguimos tirá-la com a coleira. Não adianta petisco nem chamar para ir andar na rua, ela pode ficar horas sentada esperando para ligarmos o carro e sairmos com ela.

5) Onde passeamos com elas tem um gramado e uma floresta ao lado, e as deixamos sem coleira pois tem um rio que separa a rua. Ela vive nos assustando entrando no mato onde já chegou a ficar 10 minutos lá dentro.

6) Ela é muito conectada com a natureza e pode ficar horas sentada no quintal observando as árvores, pássaros, esquilos e tudo mais ao redor

7) Ela ama a chuva, mas não gosta de trovão. Quando chove ela fica correndo toda feliz no quintal e latindo sem parar, fica ensopada e adora. Mas quando tem trovão ela começa a latir mais bravo e grosso, como se dissesse: “a água é gostosa mas esse barulho não!”

8) Ela tem o pelo grosso, preto e longo, e solta bastante, por isso precisamos estar sempre varrendo a casa e tiramos sacos e sacos de pelos. Nós brincamos que tem pelos da Mel nos lugares mais inusitados, as vezes estamos viajando e encontramos pelos dela na mala, em nossas roupas e até na necessaire!

9) As vezes alguém esquece a porta de casa aberta e ela aproveita para ficar na rua, sem nós sabermos. Duas horas depois olhamos pela varanda e vemos ela cheirando na frente de casa, chamamos e ela volta correndo. Não é algo que nós gostamos porque ela pode ser atropelada ou algo do tipo, mas ainda bem que ela fica só aqui na frente (que não passa quase ninguém) e não vai longe!

10) 6 anos depois de resgatá-la quase morrendo e adotá-la, temos quase certeza de que encontramos o lugar de onde ela possivelmente deve ter fugido na época, pois é próximo de onde moramos hoje e de onde a resgatamos e, passando na frente de uma casa, vimos uns 5 cachorros idênticos a ela. Além disso, a casa tem um muro baixo que conhecendo ela com certeza poderia ter pulado.

Você também tem uma linda história com seu cachorro para contar? Então escreva para nós e sua história pode ser publicada aqui no Só Cachorro!

História contada por Karina, criadora do site Só Cachorro.

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